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O Historiador Libertário EP04 |ADVERSÃO AO CAPITALISMO E O MÉTODO DE ENSINO PROGRESSISTA – Por Ezequiel Luiz

Acreditar que os progressistas, militantes de esquerda, marxistas e demais pessoas de diversos movimentos, são pessoas ruins e que tem como objetivo o mal da sociedade é um erro que tem levado vários movimentos ao declínio. Precisamos entender que existem pessoas mal intencionadas em qualquer meio político, ideológico ou acadêmico e até mesmo corporativo. O objetivo de muitas pessoas – a grande massa por assim dizer – é lutar por igualdade de direitos, de oportunidades para que todos possamos viver em harmonia em um mundo mais justo. No final das contas são objetivos altruístas dos quais pessoas mal intencionadas se apropriam e erguem bandeiras em nome das pessoas que acreditam nesses objetivos. Algumas dessas ideias até fazem parte dos nossos próprios objetivos como libertários, como a liberdade em si, a questão é que essas pessoas com os mesmos “fins” estão tentando pelos “meios” errados, pois não tem conhecimento ou – se tem conhecimento – não tem o embasamento necessário para entender os diferentes meios e isso se deve por diversos fatores, entre eles a natural adversão ao capitalismo que os socialistas, através da educação estatal e o monopólio de diversos outros fatores, como a justiça, impuseram nas pessoas.

Cabe a nós, voluntariamente ter paciência para mostrar as nossas ideias, mas para isso é necessário entender por que e como foi criada essa adversão, como funciona a mentalidade progressista.

Para os leitores pouco familiarizados com o capitalismo, ele é um sistema de trocas voluntárias – sem nenhum tipo de agressão ou coersão – e dentro do sistema nenhuma intervenção do estado, o mercado se auto-regulando através dele próprio[1] – o chamado laissez-faire. Na visão marxista, no capitalismo pessoas pobres ficam mais pobres e pessoas ricas ficam mais ricas, sendo assim, os pobres são explorados pelos capitalistas. O que Karl Marx ignorava era que o consumidor é soberano. Sempre haverá competição surgindo diferentes “burgueses” oferecendo um serviço melhor  mais barato que a concorrência, facilitando assim o acesso de serviços que antes do capitalismo eram exclusivos da nobreza. Se algum serviço não agradar ao consumidor, a empresa sentirá com o prejuízo e sem incentivos governamentais, terão de decidir entre melhorar os seus serviços, tornando-os melhores e mais baratos, ou então ir à falência. Isso é o capitalismo.

Quando o estado regula o mercado, colocando regras especiais para a utilização de tal recurso e uma empresa se alia ao estado, ganhando incentivos e pagando uma certa quantia a ele, o dono dessa empresa não é o que se pode chamar de capitalista, ele é um corporativista. O corporativista se alia e se beneficia das restrições do mercado visando criar um certo tipo de “monopólio”. O progressista não sabe a diferença entre o corporativismo e o capitalismo e por isso comete alguns erros ao culpar por exemplo as crises de 1929 e a de 2008 no sistema de livre mercado – sendo que ambas as crises foram ocasionadas por interferências estatais na economia[2].

Além desse erro, eles também acreditam que o capitalismo é imperialista, pois após um recurso ficar escasso é necessário ir atrás de outras fontes desse recurso de maneira expansionista. A diferença é que quando fazem essa analogia, esquecem que os estados expansionistas forçados, como o Estados Unidos, não são capitalistas. O expansionismo forçado fere a propriedade-privada dos indivíduos, algo que o capitalismo em sua essencia é totalmente contra.

Com isso, entendemos que maioria dos argumentos contra capitalismo são completos centros de desinformação coletiva e principalmente a falta de leitura básica econômica. Mesmo assim, estou me referindo apenas aos não mau-intencionados.

Hoje temos também os mau-intencionados, e esse é o problema mais sério. Os mesmo que se apropriam de bandeiras e causas justas mostram caminhos errados pois esses irão se beneficiar do mesmo. O político democrático que luta por igualdade e liberdade que convence de que programas sociais devem existir e que vocês precisam apoiar essa causa e nunca se rebelar contra impostos, por exemplo, é o típico dono da democracia conveniente. Se beneficiam do poder e se esforçarão para continuar lá. Os intelectuais anticapitalistas compartilham ainda das idéias de castas de Moses tinha. Mises em seu livro cita: “Para Moses, viver em uma sociedade onde o que se recebe depende unicamente e exclusivamente do que se produz, é completamente insuportável”.[3]

A idéia de que num mundo onde tudo que você produz, o resultado de sua produtividade define quem você é se torna inadimissivel para quem não garante sua produção, que é o caso de diversos intelectuais nas industrias cinematográficas e principalmente no ambiente acadêmico. Por exemplo: se as ideias marxistas não são “evangelhizadas”, logo os materiais progressistas terão pouco retorno e para um professor com essa ideologia, é mais fácil depender do estado para que seu material continue em alta do que se reinventar perante as novas condições de mercado. Até porque para esses, não é o marxismo que ficou ultrapassado, a justificativa para o seu trabalho não estar mais sendo valorizado é pelo fato de que a “sociedade ficou mais burra”. O que faria um professor marxista se o marxismo não fosse mais rentável ou admirado pelas insituições de ensino? Ele se adaptaria as novas condições ou se lamentaria todos os dias por esse sistema capitalista opressor ter transformado as pessoas em idiotas sem intelecto?

Para continuar a propagar essas ideias coletivistas, esses intelectuais seguem a cartilha de O Manifesto Comunista. Quase todo material dentro das escolas utilizados como fontes históricas durante as aulas nas universidades ou até mesmo o material didático utilizado no ensino médio, todos eles contém autores que se esforçam para utilizar do materialismo histórico de Karl Marx.

O materialismo histórico pressupõe que toda evolução humana é causada pelo choque de duas classes antagonicas, o que Marx ignora é que isso é um erro completamente anacrônico, que força idéias de classes em épocas e costumes onde sistemas eram estamentistas. Para explicar para os leitores, uma classe-social é uma posição na sociedade que depende das seus condições economicas, logo, se você possuir mais bens pode passar de uma classe para a outra. Muitas sociedades onde anacrônicamente são postas o termo classe, eram sociedade estamentais, onde você nascia em um estamento e morria nele, independente da sua condição economica. Um exemplo disso é a Idade Média, onde não era sua condição economica que te tornava parte da nobreza. O materialismo histórico assim como diversas outras teorias marxistas, foi refutada facilmente por outras teorias, em alguns casos, até mesmo antes de serem formuladas.

Para os historiadores o maior erro entre os erros – considerado quase como um pecado – é o anacronismo. Anacronismo é quando colocamos os valores atuais sobre o passado. Isso é um erro quando se é feito uma análise historica, pelo menos é o que dizem o historiadores. Mesmo assim, na primeira oportunidade de dizer que os Incas eram socialistas, que os Fenícios eram capitalistas ou então que os patrícios eram burgueses, quando se comete anacronismo referindo-se à afirmações de ideias progressistas, entre os intelectuais não é chamado de anacronismo e sim “análise-histórica”. Esse tipo de erro é o que chamo de “Anacronismo Conveniente”.

Além do anacronismo conveniente, falácias são utilizadas para desmerecer qualquer comentário contrário aos valores dos que lecionam, entre as mais utilizadas está a falácia de apelo à autoridade. Uma vez disse que “eu como libertário poderia estudar história lendo as diversas fontes que me são disponíveis em casa, mas entro em uma universidade para poder utilizar o diploma como um escudo ao apelo à autoridade”. Esfregar títulos ao invés de apresentar argumentos contrários é um costume entre os que lecionam, frases como “eu tenho mestrado, sei do que estou falando” é tão comum quanto “assim que terminar o curso você vai entender o meu ponto de vista”. É contra esse tipo de argumento que um historiador libertário, ou também qualquer um que tenha uma visão mais pluralizada ou anti-marxista tem que se preparar ao pensar em estudar história nos dias de hoje.


[1] O livre-mercado é uma consequência e uma obrigatoriedade do capitalismo, os dois se completam, pois sem o livre-mercado não há trocas voluntarias. Em casos de regulamentações, por exemplo, ainda existe uma força agindo sobre os indivíduos e suas propriedades, para que as trocas sejam feitas fora da maneira voluntaria que antes seriam feitas. (Nota de Henrique Dutra)

[2] O Instituto Mises tem arquivos detalhados sobre causa-efeito das crises. Para mais informações acesse mises.org.br

[3] A mentalidade anticapitalista – Ludwig von Mises

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