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NACIONALISMO: A TRAGÉDIA DA DEVOÇÃO CEGA À UMA BANDEIRA

O coletivismo em sua essência, é concebido por renegar o indivíduo em prol do coletivo, um tipo ideal. Em última instância, o indivíduo não possuirá direitos enquanto não se encaixar no coletivo que possui.

O coletivismo, em sua essência, é concebido quando o indivíduo é renegado em prol de um coletivo, um tipo ideal [1]. Em última instância, o indivíduo não possuirá direitos enquanto não se encaixar em determinado coletivo, o qual é o detentor de tais direitos.

O nacionalismo, assim como o comunismo, o nazismo e o fascismo, é uma ramificação do coletivismo de uma forma mais leve.

Ao longo da história, o estado sempre usou de artifícios para conseguir respaldo ideológico em busca da expansão de poder, mas, para isso, foi necessário recrutar servos cegamente obedientes que tratam-no como um ente inquestionável, e foi aí que o nacionalismo se encaixou perfeitamente.

O amor cego à uma nação, o que nada é senão uma mera abstração – sendo o polilogismo [2] um fator que solidifica este amor –, a devoção à um território, a obediência cega à autoridade apenas pelo fato desta comandar a nação, são facetas alcançadas pela cegueira dos nacionalistas. O amor pela nação é um grande fortalecedor do unionismo. Ao criar uma identidade nacionalista, o separatismo, o qual é a liberdade de dissociação em âmbito territorial – este que é um corolário do direito de propriedade privada –, fica cada vez mais longe de ser alcançado, especialmente ao nível individual, o que é meramente consequência da defesa de uma postura ética intransigente.

Existem alguns desastres consequenciais que, em linhas gerais, são característicos de governos nacionalistas, advindos da deturpada noção da qual o indivíduo deve servir ao seu estado sobrepondo-o às suas vontades.

Uma materialização dessa deturpação se manifesta nas convocações compulsórias de indivíduos para a formação de um exército nacional. Não obstante, há situações em que os governos concedem a suspensão de restituição dos bancos com propósito de evitar as “corridas bancárias”, ou tentam desencorajar o entesouramento de ouro, como ocorreu em 1933 e 1929, respectivamente, com a desculpa de serem atos antipatrióticos [3].

A falha do positivismo nacionalista em renuir os conhecimentos tácitos [eu] como condição fundamental para a emergência de uma ordem espontânea – e, ao invés disso, prezar por uma ordem centralizadora – é materializada em nossa bandeira: “Ordem e Progresso”. Sessenta mil assassinatos por ano e 13 milhões de pessoas desempregadas são consequências diretas do centralismo. Não há ordem, e muito menos progresso.

Além de tudo, um nacionalismo exacerbado abre precedentes para medidas econômicas totalmente desastrosas, como o protecionismo. A ideia de riqueza atrelada à necessidade de empresas nacionais fortes é nonsense, uma vez que o enriquecimento é alcançado pelo aumento de poder aquisitivo, e este só é possível com um sistema de livre mercado.

Ademais, a sonegação, ou seja, a ocultação de uma parte do dinheiro o que seria roubado, é tida como um ato antipatriótico também. Além de ser ética, bela e moral, a sonegação aumenta o produto privado remanescente, i.e, evita que os recursos os quais seriam alocados de forma racional por mãos privadas sejam tomados pelo governo. Dado que as atividades econômicas estatais não serem respaldadas mercadologicamente, estes recursos seriam alocados como um tatear às cegas.

Encerro este artigo com um célebre contraponto de Murray N. Rothbard sobre a identidade coletivista perante o estado:

O termo coletivo útil “nós” permite lançar uma camuflagem ideológica sobre a realidade da vida política.  Se “nós somos o estado”, então qualquer coisa que o estado faça a um indivíduo é não somente justo e não tirânico, como também “voluntário” da parte do respectivo indivíduo.

NOTAS:

[1]: MISES, Ludwig von. Ação Humana, São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2010, p.88-92.

[2]: MISES, Ludwig von. Ação Humana, São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2010, cap.3.

[3]: ROTHBARD, Murray Newton. O que o governo fez com o nosso dinheiro, São Paulo: Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2013, pg.63.

[4]: BOTTI, Vinicius. Conceituando função empresarial e assimetria informacional

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